Vocês conhecem o ditado: "só mudam as moscas, porque...". A entrada de Gastão Vieira no Ministério do Turismo, em substituição a Pedro Novais, é a troca de seis por meia-dúzia. E não é porque ambos contam com a bênção de José Sarney, a cuja facção pertencem no Maranhão. Mas porque um ministro que já entra dizendo que não é "genérico" é exatamente isso: genérico. Além da pouca qualificação, fica clara a ideia de que o governo também não tem critérios (que não sejam os políticos) para preencher o cargo.
Nesse jogo de erros que dificilmente serão corrigidos, já que competência não é a qualidade para alguém ocupar um cargo no primeiro escalão de Dilma, há lances assustadores, estarrecedores. Tal como a tentativa, feita pelo líder Henrique Eduardo Alves, de emplacar o deputado Manoel Júnior no ministério, acusado de estar envolvido com a pistolagem. Vou repetir: acusado de estar envolvido com a pistolagem. Seria a mesma coisa que indicar Natalino ou Jerominho, ex-deputado estadual e ex-vereador no Rio e chefes da Liga da Justiça - milícia que manda em várias favelas cariocas - para o cargo.
Quer dizer: o substituto de Pedro Novais já assumiria nas mesmas condições do antecessor, tendo de dar explicações do seu envolvimento com a criminalidade. É de se perguntar se Henrique Eduardo Alves estava de brincadeira ou é irresponsável assim mesmo. Porque alguém que indica um ciadadão com ficha corrida para comandar um ministério só pode ser louco. Não é o caso nem de a presidente desconsiderar a sugestão, mas de chamá-lo às falas de perguntá-lo qual a intenção de apresentar alguém com um histórico desses.
São lances assim que atestam a completa desnecessidade do Ministério do Turismo - uma invenção do presidente Itamar Franco para abrigar o amigo e ex-banqueiro José Eduardo de Andrade Vieira. Fosse algo sério, Pedro Novais nem sequer teria sido cogitado. Mas como tem que se criar pastas na estrutura federal para poder agradar os aliados, vale qualquer coisa. De sugestão imprópria a um genérico que lá está para alavancar seu partido.
Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões (Graciliano Ramos)
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Depois da Belíndia, o Subábue
O que é a Emenda 29? Simples. Se regulamentada, obriga os governadores a alocarem mais recursos na saúde. O que isso quer dizer? Se um governo estadual põe 10%, digamos, da sua receita líquida no setor, será obrigado a botar 15%. E de onde sai esse dinheiro? De outras rubricas. É só diminuir, por exemplo, gastos como os repasses ao Legislativo, contratações de apadrinhados políticos ou compras desnecessárias das administrações estaduais.
E o que está acontecendo? Eles não querem mudar um único centavo de lugar. Querem deixar como está e obrigar o governo federal a inventar mais um imposto para bancar a esperteza e a incompetência dos governadores. Chegaram a elaborar uma nota dizendo que é preciso mais recursos para a saúde, desde que o cidadão seja obrigado a contribuir com isso. É um crime, para dizer o máximo. É cinismo, para dizer o mínimo.
Sérgio Cabral Filho, que não é exemplo de gestão - afinal, gestão pressupõe eficiência -, disse que o fim da CPMF foi um golpe contra a população. Se não disse isso, quis dizer isso. Se eu soubesse antes, teria levado minhas contas para ele pagar. Faz cortesia com o chapéu alheio, com o nosso chapéu. É um brincalhão e é um dos maiores defensores de um novo imposto sobre o cangote do cidadão-contribuinte-eleitor.
A presidente Dilma assumiu um compromisso: o de não aumentar impostos. Disse isso durante a campanha e jogou para seu adversário, José Serra, a impressão de que ele, sim, defendia carga tributária maior. Como tudo grudava na careca do tucano, levou dias se explicando, enquanto Lula e o PT serviam como faróis da população na selva inóspita dos impostos. Dilma, porém, vem sendo pressionada e, dependendo dos interesses em jogo para as eleições de 2012, cederá.
O Congresso faz jogo duplo. Às vezes quer nova taxação, às vezes não. Testa a temperatura do eleitorado, que, é claro, é quente quando se trata de bancar algo cujo resultado continuará sendo abaixo da crítica. Dilma ainda tentou amenizar, dizendo que aceitaria a criação de um novo tributo, mas que não funcionasse nos moldes da antiga CPMF. Presidente: o brasileiro não quer imposto de forma alguma, nem que seja bem empregado. Já se disse que temos carga de Suécia e aplicação de Zimbábue. O Brasil já foi Belíndia, custos de Bélgica e serviços de Índia. Chegou o momento de sermos o Subábue.
Para Dilma, mais impostos representam um prego extra na sua popularidade. A presidente claudicou no caso Palocci, redimiu-se no de Alfredo Nascimento, consolidou-se no de Wagner Rossi, mas voltou a patinar no de Pedro Novais. Sua popularidade está no patamar de 60% do eleitorado. Com um novo imposto, a pretexto de bancar os gastos (que poderiam ser gatos) com a Saúde, tem tudo para chegar ao final do primeiro ano de governo com percepção abaixo dos 50%.
Péssimo. E comprometedor.
E o que está acontecendo? Eles não querem mudar um único centavo de lugar. Querem deixar como está e obrigar o governo federal a inventar mais um imposto para bancar a esperteza e a incompetência dos governadores. Chegaram a elaborar uma nota dizendo que é preciso mais recursos para a saúde, desde que o cidadão seja obrigado a contribuir com isso. É um crime, para dizer o máximo. É cinismo, para dizer o mínimo.
Sérgio Cabral Filho, que não é exemplo de gestão - afinal, gestão pressupõe eficiência -, disse que o fim da CPMF foi um golpe contra a população. Se não disse isso, quis dizer isso. Se eu soubesse antes, teria levado minhas contas para ele pagar. Faz cortesia com o chapéu alheio, com o nosso chapéu. É um brincalhão e é um dos maiores defensores de um novo imposto sobre o cangote do cidadão-contribuinte-eleitor.
A presidente Dilma assumiu um compromisso: o de não aumentar impostos. Disse isso durante a campanha e jogou para seu adversário, José Serra, a impressão de que ele, sim, defendia carga tributária maior. Como tudo grudava na careca do tucano, levou dias se explicando, enquanto Lula e o PT serviam como faróis da população na selva inóspita dos impostos. Dilma, porém, vem sendo pressionada e, dependendo dos interesses em jogo para as eleições de 2012, cederá.
O Congresso faz jogo duplo. Às vezes quer nova taxação, às vezes não. Testa a temperatura do eleitorado, que, é claro, é quente quando se trata de bancar algo cujo resultado continuará sendo abaixo da crítica. Dilma ainda tentou amenizar, dizendo que aceitaria a criação de um novo tributo, mas que não funcionasse nos moldes da antiga CPMF. Presidente: o brasileiro não quer imposto de forma alguma, nem que seja bem empregado. Já se disse que temos carga de Suécia e aplicação de Zimbábue. O Brasil já foi Belíndia, custos de Bélgica e serviços de Índia. Chegou o momento de sermos o Subábue.
Para Dilma, mais impostos representam um prego extra na sua popularidade. A presidente claudicou no caso Palocci, redimiu-se no de Alfredo Nascimento, consolidou-se no de Wagner Rossi, mas voltou a patinar no de Pedro Novais. Sua popularidade está no patamar de 60% do eleitorado. Com um novo imposto, a pretexto de bancar os gastos (que poderiam ser gatos) com a Saúde, tem tudo para chegar ao final do primeiro ano de governo com percepção abaixo dos 50%.
Péssimo. E comprometedor.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
A culpa é do técnico
Assistia a uma discussão ontem, na TV, sobre as razões pelas quais tantos ministros caíram em tão pouco tempo. A certa altura, a pergunta foi feita ao cientista político Murilo de Aragão, que disse ver coincidência na sinistra sequência que enfileirou ministros na direção do olho da rua. Não acredito em lances fortuitos, incumbidos ao destino. Tenho uma explicação própria para tudo isso: trata-se de “fadiga de material”.
O ministério de Dilma é fraco, muito fraco. Ela teve de assumir vários compromissos para ser eleita, que se refletiram na composição do primeiro escalão. Primeiro, vieram os acertos firmados por Lula, com a aquiescência dela, pelo qual vários ministros foram mantidos e outros tantos chegaram. Entre os que vieram, Antônio Palocci e Pedro Novais, um endossado pelo ex-presidente, o outro com a bênção do senador José Sarney. Entre os que foram mantidos, Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e Nelson Jobim, a pedido de Lula, na composição das alianças que levaram Dilma à vitória.
Em segundo, têm os acordos firmados por ela mesma. Nessa carreira aparecem Ideli Salvatti, Paulo Bernardo e Luiz Sérgio, figuras ligadas ao PT e ao governo anterior, que ascenderam ao ministério no balcão de negócios da campanha eleitoral. E finalmente, em terceiro, aqueles que vieram por indicação, mas que ela apenas ouvira falar. Tal como Ana de Hollanda, guindada à condição de ministra por intermédio de Palocci.
Na reforma ministerial de dezembro, boa parte deles sairia. Mas sairia pela porta da frente, com o currículo imaculado. A presidente faria um cotejo, veria quem se saiu bem e quem se saiu mal e trocaria aqueles que estão na segunda condição. Tudo seria sem atropelo, para que biografias não se tornassem folhas corridas. Haveria uma fofoca aqui, outra ali, mas nada que desabonasse ninguém.
Só que, como diz a Lei de Murphy, nada é tão ruim que não possa ficar pior. Um ministério fraco, vulnerável, daria nisso mesmo. Apesar do fogo amigo petista, que de olho num ministério para chamar de seu jogou no ventilador a questão das diárias de Ana de Hollanda, há a concordância geral de que a ministra da Cultura fez questão de se colocar na janela. E aí, conforme a música de Gonzaguinha, deu aos seus adversários a chance de “passar a mão nela”. Todos sabem o que esta expressão quer dizer.
Cair, não caiu, mas a imprensa ficou atenta e mais receptiva a dossiês. Aqui entra a fadiga de material: muitos dos que vinham do governo anterior perderam o cuidado, tornaram-se imprudentes e, principalmente, tinham a certeza de que Dilma seria tão leniente quanto Lula foi. Juntou-se jornalistas atentos com a falta de vergonha e deu no que deu. A explosão que abateu três ministros – o quarto, Nelson Jobim, saiu porque não conseguiu manter a língua dentro da boca – tem potencial para abater mais um tanto, pelas mesmas razões.
Não creio que o casal Gleisi Hoffman e Paulo Bernardo vá sair por causa da carona do jatinho do empresário que tem negócios com o governo. Mas criou-se novo contrangimento. Isso só mostra que o time é fraco e pouco cuidadoso. Aliás, a prova suprema da dura verdade sobre a mediocridade do primeiro escalão foi a troca de Luiz Sérgio por Ideli Salvatti. Ela estava largada num ministério sem visibilidade e sem importância, o da Pesca, e foi puxada para uma das funções mais importantes do governo, que é a articulação política. Ele estava na articulação política com um desempenho pífio e foi relegado a um ministério sem visibilidade, o da Pesca. Ninguém percebeu o engano antes? Que, neste caso, as funções estavam invertidas? É como se tivessem colocado o zagueiro central de volante e o volante de zagueiro central. A culpa na escalação errada é do técnico.
Consideram um grande feito as trocas que Dilma vem executando. Num país desacostumado com isso, é, de fato, um avanço. Sobretudo depois que ela mostrou imensa hesitação no caso Palocci. Mas é pouco, quase nada. A presidente ainda precisa aprender a treinar sua equipe. Somente sabendo onde cada um vai jogar é que será capaz de escalar direito o time.
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quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Estancando a sangria
A saída de Wagner Rossi é a prova de que a presidente Dilma faz mais política do que muita gente imagina. Claro que houve uma mudança de postura entre a atitude dela ante a crise do Ministério dos Transportes e a do Ministério da Agricultura. Com Alfredo Nascimento, houve sim uma medida maior de força do que com Rossi e a razão disso é o PMDB. O PR não é levado a sério pelo Palácio do Planalto, sobretudo quando o ex-ministro e hoje senador anuncia postura de independência, que o partido entregará os cargos no governo, mas não se tem notícia de nada tenha sido feito nesta direção.
Rossi poderia até não cair agora, mas não resistiria à reforma ministerial que – comenta-se – virá no final do ano. Sairia pela porta da frente e depois de receber tempo suficiente para fechar negócios inacabados. Porém, perdeu-se ao achar que ética é um conceito elástico, que pode ser explicado conforme os olhos de quem o vê. Foi por isso que se traiu ao afirmar que não via nada de mais em pegar carona no jatinho de um empresário que tinha negócios com o Ministério. Negócios, aliás, que experimentaram imenso avanço desde a chegada de Rossi.
Da mesma forma, foi devastadora a entrevista de um funcionário da pasta ao Jornal Nacional, afirmando que nas concorrências do Ministério havia cartas marcadas. Nada disso era novidade: a Veja trouxera o caso na edição do final de semana, dando nomes e datas, e ainda chamou a atenção para o oásis que o ex-ministro tinha no interior de São Paulo. Não terminou aí: mostrou que o patrimônio de Rossi engordou como gado bem nutrido desde que entrou para a política.
A revista mostrou mais. Que o ex-ministro tinha uma ligação umbilical com Michel Temer, que passava pelo Porto de Santos. As histórias envolvendo o vice-presidente e as maiores docas do País são conhecidas há tempos e comentadas à boca pequena. Na medida em que algo assim aparece, com dados concretos, a luz amarela acende. Temer quer ficar com o espólio de Orestes Quércia em São Paulo e suspeitas como essas são pedras no caminho. Sem contar o prejuízo que isso traz para a imagem do governo federal e para a União. Afinal, Temer é o segundo homem da República.
No momento em que todos esses fatores foram misturados, Temer e Dilma tiveram de conversar. O prejuízo causado pela denúncia ameaçava desmoralizar o governo. Era um desgaste que o Palácio do Planalto poderia evitar, não estivesse o PMDB do outro lado da linha. Fisiológico e acostumado com o estilo Lula de atropelar a moralidade, o partido não se conforma com o fato de os ventos não serem mais os mesmos.
O problema era achar uma equação que não colocasse a legenda à beira do precipício. A carta de demissão, sob a justificativa de que a família de Rossi não aguentava mais os aborrecimentos trazidos desde que a denúncia veio à tona, é protocolar. Mas funciona. Afinal, família é família, por pior que seja o chefe dela.
Posso afirmar que em relação a Pedro Novais a mesma saída está sendo gestada. O problema é, mais uma vez, não deixar o partido exposto com outra dispensa desonrosa, apesar de todos os eufemismos e disfarces que uma medida dessas possa ter. Dependendo daquilo que as revistas trouxerem neste final de semana, o ministro do Turismo joga a toalha.
Novais, porém, foi mais traiçoeiro que Rossi: disse que fica à frente da pasta até quando Dilma quiser. Ou seja, jogou para ela a responsabilidade de dispensá-lo, criando um problema entre a presidente e o PMDB. Mas ela não é boba e percebeu a esperteza.
Novamente, se preciso for, Dilma vai chamar Temer para chegarem a um nome para substituir Novais que agrade a todos. No Palácio do Planalto, há o consenso que trocar ministro traz traumas, mas apanhar da imprensa, que expõe os malfeitos de algumas figuras do primeiro escalão, é ainda pior. Trocar ministro não abrevia governo. Pressão de jornalista, sim.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Na reta final
Era fácil prever que depois do Ministério dos Transportes, a bola da vez seria o do Turismo. O ministro Pedro Novais começou sua gestão com o pé esquerdo: primeiro, jogou na verba de gabinete gastos com farra num motel de São Luís e, mais recentemente, vem irrigando as festas de São João com dinheiro público. Longe de serem eventos culturais, na realidade essas quadrilhas (no bom sentido) servem muito mais para políticos locais se derramarem em proselitismo. O deputado aparece como benfeitor e embolsa os louros obtidos com o forró à custa da União.
A presidente começou a minar Novais de maneira habilidosa: colocou na Embratur o ex-deputado Flávio Dino, desafeto declarado do clã Sarney, ao qual o ministro do Turismo é ligado. A rigor, a autarquia é a única coisa importante do Ministério e está nas mãos do Palácio do Planalto. Pela pasta passará uma boa quantidade de verbas com vistas à Copa e à Olimpíada. E Dilma não é louca de deixar alguém no qual não tem a menor confiança, como Novais, administrando tamanha quantidade de recursos.
A presidente só não dispensa o ministro agora porque seriam crises demais ao mesmo tempo. Na escala de prioridades está a solução do Ministério dos Transportes: o senador Blairo Maggi não aceitou o convite e amanhã Luiz Antônio Pagot vai ao Senado prestar depoimento. Claro que vai ser indagado sobre a questão do DNIT, pois já disse que apenas cumpria ordens.
Aliás, está aí uma situação interessante. Blairo deu entrevista a’O Globo no qual, além de afirmar que não é advogado de defesa de Pagot, negou que ele tenha falado as coisas de maneira que soassem como recados ao governo. No entendimento do senador, seu afilhado disse apenas que, embora fosse diretor de uma das principais autarquias do Ministério, não decidia nada somente pela própria cabeça. No domingo, ao mesmo O Globo, o ministro Paulo Bernardo deu uma entrevista em tom duríssimo, na qual negou que tivesse feito qualquer pedido especial – digamos assim – a Pagot.
Daí porque acredito que a montanha vai parir um rato amanhã. Nos últimos dias, o PR fez circular várias versões de que Pagot iria abrir a boca, que seria um “homem-bomba” etc. e tal. Puro blefe. Por mais que seja verdade, o partido não tem interesse algum de detonar revelações comprometedoras contra quem quer que seja. Usará isso como moeda de troca, embora, como diga o ditado, cão que ladra não morde. No atual estágio da hipocrisia nacional, ninguém enfrenta seu adversário de peito aberto: vaza a informação que lhe interessa para algum veículo de grande circulação.
Além do mais, com a questão do mensalão surgindo no horizonte, o PR e o PT têm que se acertar, porque alguns dos seus integrantes nada ganham com o chumbo trocado. Valdemar Costa Neto está aí na iminência de renunciar mais uma vez ao mandato para forçar seu inquérito do mensalão a voltar para a primeira instância da Justiça. Os demais petistas envolvidos na história são pessoas das quais o Palácio tem mantido equidistância, inclusive José Genoíno, cuja nomeação passou a ser um problema exclusivo do ministro Nelson Jobim.
Assim, com o recesso parlamentar chegando na sexta-feira e todos preocupados em votar o Orçamento, o momento é de meditação para os envolvidos. Dilma não vai precipitar nenhuma limpeza nesse instante, para não colar uma crise na outra. O PR, por sua vez, está sendo instado a procurar alguém que o represente no Ministério dos Transportes, embora a presidente já tenha deixado claro que a futura administração não será como aquela que passou. No Turismo, o Palácio já conseguiu pôr uma cunha na porta que o atrapalhado Pedro Novais mantém aberta. Blairo se recolhe para os bastidores na tentativa de segurar Pagot, que mandou recados, mas não vai confirmá-los.
Ou seja, o primeiro semestre político termina com todos revendo suas posições para os próximos seis meses.
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